30 de mar de 2010

Nerds - Ho Voglia Di Te

Ontem eu postei sobre Três Metros Acima Do Céu então hoje vou postar sobre a continuação.
Ho Voglia Di Te "Quero-te Muito" não tem tradução aqui no Brasil, mas em Portugal tem, como sempre. A boa noticia é que no orkut a comunidade Traduções e Digitalizações já começou a traduzir.
Esse livro foi lançado em 2007 e é a continuação de 3MAdC. Nele o Step volta para Roma, depois de 2 ano que ele passou em NY.
Já em Roma ele conhece Gin e se apaixona por ela só que ele reencontra a Babi e "os velhos sentimentos dele despertam". Pequeno spoiler, aparentemente eles não ficam juntos no final.
Eu procurei onde tinha para baixar esse livro, só que o único lugar que eu encontrei tinha que pagar para baixar. Eu amo 3MAdC, mas o meu amor por dinheiro é maior. Alem disso eu to com um pouco de medo de ler, tem livros que o melhor é deixar sem continuação.
O livro virou também virou filme, e é bem capaz de eu ver o filme antes de ler o livro.
Ah! Coloquei a capa portuguesa para ilustrar o texto. Linda não é?
Aqui vai um pedaço do livro "em português de Portugal"

“Quero morrer.” Foi o que pensei ao partir. Quando apanhei o avião há apenas dois anos. Queria acabar com tudo. Sim, um simples acidente seria o melhor. Para que ninguém tivesse a culpa, para que eu não tivesse de passar vergonha, para que ninguém procurasse um porquê… Recordo-me de que o avião balançou durante a viagem toda. Estava um temporal e todos se sentiam tensos e apavorados. Eu não. Eu era o único a sorrir. Quando não se está bem, quando se vê tudo negro, quando não se tem futuro, quando não se tem nada a perder, quando… cada instante é um peso enorme, insustentável. E suspiramos sem parar. E queremos libertar-nos disso seja como for. De qualquer maneira. Da maneira mais simples, da mais cobarde, sem adiar para amanhã este pensamento: ela não está cá. Nunca mais estará. E nessa altura, simplesmente, também nós não queremos estar. Desaparecer. Puf. Sem problemas, sem incomodar ninguém. Sem que alguém se preocupe a dizer: “Oh, já sabes? Sim, ele mesmo… Não sabes o que foi feito dele?…” Sim, aquele tipo contará o que foi feito de nós, enriquecido de sabe-se lá quantos pormenores, inventará coisas absurdas, como se nos conhecesse desde sempre, como se só ele tivesse sabido realmente quais eram os nossos problemas. Que estranho… Quando se calhar nem nós mesmos tivemos tempo de o compreender. E já não se pode fazer nada contra esse gigantesco passa-palavra. Que chatice. A nossa memória será vítima de um estupor qualquer, e nós não podemos fazer nada. Pois bem, naquele dia eu gostaria de encontrar um desses estranhos magos. Põem um pano por cima de uma pomba que acabámos de ver e, puf, de repente ela já não existe. Não existe mais nada. E nós saímos satisfeitos daquele espectáculo. Se calhar, vimos bailarinas um pouco mais gordas do que deviam ser, estivemos sentados numa daquelas cadeiras antigas, um tanto duras, numa sala arranjada a trouxe-mouxe numa cave qualquer. Sim, também cheirava a bafio e mofo. Mas uma coisa é certa: nunca mais nos perguntamos o que foi feito daquela pomba. Mas, afinal, não. Não podemodesaparecer com essa facilidade. Já passou muito tempo. Dois anos. E agora sorvo uma cerveja. E ao lembrar-me de como quis ser aquela pomba, sorrio e sinto uma certa vergonha. – Quer outra? Um comissário de bordo sorri-me, parado junto ao seu carrinho de bebidas. – Não, obrigado. Olho pela janela. Nuvens tingidas de cor-de-rosa deixam-se atravessar. Macias, leves, infinitas. Um crepúsculo longínquo. O Sol dá a última piscadela de olho. Não consigo acreditar. Estou de regresso. A-27. É o meu lugar no avião. Fila da direita logo a seguir às asas, corredor central. E estou de regresso. Uma bela hospedeira de bordo sorri-me de novo quando passa ao pé de mim. Demasiado perto. Parece mandada pelos Nirvana. “If she comes down now, oh, she looks so good…” Tem um perfume suave, uma farda perfeita, uma camisa transparente quanto baste para nos deixar apreciar o sutiã de renda. Anda para trás e para diante pelo avião, sem problemas, sem preocupações, sorrindo. “If she comes down…” – Eva é um nome lindíssimo. – Obrigada. – Você é como a primeira Eva, tenta-me… Fica um instante em silêncio a olhar para mim. Tranquilizo-a. – Mas é uma tentação lícita. Dá-me outra cerveja? – Mas é a terceira… – E é claro que se continuar a passar assim… Eu bebo para esquecê-la. Sorriu. Parece sinceramente divertida. – Mas conta sempre o que toda a gente bebe, ou sou eu que a impressiono especialmente? – Decida você. Fique sabendo que é o único que me pediu cerveja. Vai-se embora. Mas antes de se afastar sorri de novo. Depois bamboleia-se alegremente ao andar. Debruço-me um pouco. Pernas perfeitas, meias apertadas, bem recheadas, transparentes e escuras, sapatos de série como os outros. O cabelo puxado para cima, um duplo rabo-de-cavalo entrançado, levemente alourado. Pára. Vejo-a falar com um homem da minha fila, mas um pouco mais à frente. Ouve o seu pedido. Anui simplesmente, sem falar. Depois diz qualquer coisa rindo e tranquiliza-o. Vira-se uma última vez para mim antes de se afastar. Fita-me. Olhos verdes. Um leve traço de rímel. Uma sombra forte cor de ébano e um pouco de curiosidade. Encolho os ombros. Desta vez sou eu quem lhe sorri. O homem diz mais qualquer coisa. Ela responde com modos profissionais e depois prossegue. – Muito bonita, a hospedeira. A senhora ao meu lado introduz-se desordenada nos meus pensamentos. Atenta e sorridente, olhinhos vivos por detrás de uns óculos grossos. Cinquenta anos bem conservados, não condizendo com os seus dois brincos, demasiado grandes, nem com aquele azul-pesado nas pálpebras. – Sim, gnocca. – Como? – É uma gnocca. Em Roma é assim que chamamos a uma mulher assim. – Na verdade, chamamos muito mais coisas, mas não me pareceram apropriadas. – Gnocca… – Abana a cabeça. – Nunca ouvi. – Gnocca, claro… Às vezes, bela gnocca. É uma expressão simpática, roubada à massa. Sabe o que são os gnocchi, não? – Eh, claro que sim. Desses já ouvi falar e comi muitas vezes. Ri divertida. – Isso mesmo, e gosta? – Adoro. – Vê, então é fácil. Quando a uma rapariga se diz que é gnocca, quer dizer que é “boa” como os gnocchi que comeu. – Sim, mas faz-me rir pensar nela como um gnocco*. Parece-me… como se diz… isso mesmo: bronco! – Não são desses! Tem de pensar naqueles gnocchi com o molho quente por cima, com aquele tomate doce, os gnocchi que se derretem na boca, que quase se colam e que a língua tem de separar do palato. – Sim, já percebi. Você também adora gnocchi. – Exactamente. – Come-os muitas vezes? – Em Roma, muito. Em Nova Iorque, nunca comi num restaurante italiano, não sei… por uma questão de princípio. – Que estranho, dizem que está cheio de restaurantes italianos muito bons. Olhe, a gnocca está a voltar. A senhora ri-se divertida e indica a hospedeira que volta sorrindo com o copo de cerveja. Parece quase um anúncio de tão linda que é. [...]
* Trocadilho com o duplo significado da palavra gnocco: “pedaço de massa” e “idiota”. (N. da R.)

2 comentários:

  1. *-*
    Ah eu quero ler!!!
    Ameeei 3MAC, mas confesso que também estou com medinho!
    Vi o seu tpc lá na comu ReT, adorei!
    Bjs :*

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  2. ain , obrigada por dizer onde tem o livro , finalmente vou poder ler *-*

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