22 de mar de 2011

Nerds - Mil e Uma Noites de Silencio

Eu quero começar este post dizendo que eu não fui com a cara da protagonista. Ela é santinha demais para mim e depressiva demais para mim. Acho que a minha maior crise com ela foi a de eu estar me sentindo extremamente feliz e a personagem passar quase que o livro inteiro sozinha e com depressão.

O livro é contado em primeira pessoa pela Clara, uma garota religiosa (ao menos no começo do livro) que esta em crise porque sua mãe adotiva morreu (a mãe biológica a abandonou quando ela tinha dois meses). O grande problema de Clara é a solidão, mãe biológica a abandonou? Checked. O noivo a abandonou no altar? Checked. Mãe adotiva morreu de câncer? Checked. Sua atual melhor amiga morreu? Checked. Sua melhor amiga da faculdade sumiu? Checked. É, pensando bem eu acho que ela tem motivos para se sentir depressiva e sozinha.

Depois da morte dessa amiga Clara vai procurar a tal amiga desaparecida em Bangônia (A cidade é fictícia, mas pelos Tú que os personagens falam, eu imagino que fique no sul do país) e depois de alguns acontecimentos ela vai atrás da mãe biológica.

Eu li algumas resenhas dizendo que o livro é principalmente sobre solidão “levantava a bandeira da solidão perpetua” eu concordo, mas também acho que o livro diz muito sobre como as aparências enganam. Em MeUNdS, com algumas exceções, ninguém é o que aparenta ser.

O livro é contado de uma forma que eu adoro, com muita reflexão da personagem e recheado de frases dramáticas e inteligentes.

“Já era doutora em colocar meu próprio coração na geladeira”

Falando em inteligente… Não vou falar que foi o melhor final que eu já li (meu primeiro lugar sempre vai ser de …E o Vento Levou) mas puta que pariu Mayra Dias Gomes, a parte dos vinte e sete comprimidos e da escopolamina foram muito inteligentes.

Aproveitando que esse post vai ficar gigante, eu queria falar sobre a capa. Na capa tem uma mulher segurando uma mala cinza de viagem e ao lado tem uma daquelas caixinhas de levar bichicho de estimação na viagem (Ela tem um gato) e ao lado uma caixa preta (ela também tem uma caixa preta) no chão tem um jornal com a manchete Assassinato Brutal (Tem um assassinato no livro) atrás tem um chapéu de marinheiro (O Hank tem um chapéu de marinheiro) no canto superior esquerdo tem uma casa no alto da montanha que da medo (no livro também tem uma casa na montanha) e se você reparar no canto inferior esquerdo tem umas flores vermelhas, provavelmente margaridas, ou talvez Margarida (depois que você ler, você vai entender).

Eu gostei do livro, ele é totalmente diferente de Fugalaça, acho que se eu estivesse me sentindo depressiva e sozinha eu o teria apreciado muito mais e eu mal posso esperar pelo próximo livro da Mayra Dias Gomes.

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